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Médicos que operaram mulher que morreu após cirurgia não possuíam registro de especialidade em MT

16/05/2018
Fonte: Olhar Direto

O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) afirmou que os médicos que atuaram na cirurgia plástica de Edléia Daniele Ferreira Lira neste final de semana, não possuíam registro de especialidade para atuar no estado. Porém, isto não seria exigência para que eles fizessem o procedimento. A paciente morreu após a intervenpão cirúrgica. 



O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – Regional Mato Grosso (SBCP-MT), Jubert Sanches Cibantos Filho, afirmou que médicos do Plástica para Todos já foram denunciados em Conselhos Regionais de Medicina (CRM) pelo Brasil.



Segundo ele, o SBCP-MT já reunia provas e se preparava para fazer uma denúncia no CRM-MT quando foram surpreendidos pelo caso de Edléia Daniele Ferreira Lira, morta após uma cirurgia no Hospital Militar em Cuiabá.



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Sanches disse que em outras regionais do SBCP médicos ligados ao programa Plástica para Todos já foram denunciados. Nenhuma delas, no entanto, é contra a empresa em si.



“Na SBCP existem várias denúncias. Na verdade existem algumas ações, inclusive em Belo Horizonte, em relação a essa comercialização. Estas denúncias são feitas via CRM, aí eles abrem sindicância, que são processos sigilosos. E as denúncias não são contra a empresa. Como é uma empresa, foge da nossa alçada, tanto de fiscalização da SBCP quanto do CRM, os médicos que atuam nela é que são denunciados”.



O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) afirmou que não possui nenhum registro de denúncia contra médicos ligados ao programa. O presidente da SBCP-MT disse que em Mato Grosso a denúncia seria feita esta semana.



“Acabou que nem tivemos tempo porque aconteceu este fato trágico. Mas nós começamos a observar indícios, porque eles começaram há fazer cirurgias há 30 dias, e estávamos recolhendo evidências, porque não podemos fazer denúncias vazias. Então estávamos neste mesmo tempo mantendo as coisas, para depois poder dar início às denúncias”, explicou.



Sanches disse que os médicos que atuam em programas como estes estão confrontando o código de ética, ficando sujeitos a sanções e punições.



“O que a gente pode falar mais é com relação à parte médica, e estes médicos que atuam nestas empresas, estão frontalmente contra o código de ética. Eles ficam sujeitos a sanções e penalidades, que são definidas depois que for feita a sindicância. Porque eles não podem trabalhar para intermediadores do serviço médico, porque é como se estivesse vendendo alguma coisa e ato médico não se encaixa como mercadoria para ser vendido”.



Ele explicou que o programa Plástica para Todos não é de propriedade de um médico, mas de um administrador. Por causa disso Sanches afirma que será feito um questionamento perante o Ministério Público sobre a conduta da empresa, já que não se pode vender serviços médicos sem ser um médico.

Dr. Jubert Sanches

O presidente também questionou os baixos preços oferecidos pela empresa e disse duvidar que com valores tão pequenos a equipe tenha conseguido realizar o procedimento com tudo o que era necessário.


“No nosso ponto de vista, quando você trabalha com estes preços tão espremidos é complicado conseguir ter local adequado, ter as coisas da maneira que devem ser feitas, porque milagres ninguém faz. Na verdade eles queriam um preço extremamente baixo. É leviano afirmar que isso tira alguma coisa do que eles estavam usando lá, mas é muito difícil você, de uma maneira racional, acreditar que eles conseguiram ter todas as coisas, com preço tão abaixo do praticado. Porque o preço da cirurgia é uma composição, de anestesista, cirurgião e a parte hospitalar. Mas vamos ter que aguardar as apurações para ver”.



De acordo com o CRM-MT nenhum dos médicos que atuou no caso tinha registro de especialidades em Mato Grosso. Porém, conforme a presidente do conselho, Dr. Maria de Fátima de Carvalho, isso não impediria que eles fizessem o procedimento: "Só não podem divulgar que o fazem. Se está atendendo em um local chamado plástica para todos, te induz a pensar em uma especialização. O erro está nisto". Um deles é do Rio Grande do Sul e o outro de São Paulo.



Com relação ao programa, o CRM-MT afirma que já havia uma investigação sobre a atuação deles em Mato Grosso, relacionada a publicidade irregular. O Conselho deve abrir uma sindicância para apurar o caso.


 
O caso
 
A cuiabana Edléia Daniele Ferreira Lira, de 33 anos, Daniele Bueno nas redes sociais, faleceu neste domingo (13) após ser submetida a um procedimento de cirurgia plástica no Hospital Militar em Cuiabá. Ela foi encaminhada ao Hospital Sotrauma após passar mal e não resistiu. Ela era casada e tinha uma filha pequena.


 
Na última sexta-feira (11), Daniele havia feito uma postagem em um grupo de mamoplastia no Facebook dizendo que iria operar pelo Programa Plástica para Todos.


 
O Programa Plástica para Todos é recente em Cuiabá e sua divulgação acontece em um grupo fechado do Facebook, com mais de 7 mil mulheres. O nome dos médicos da equipe do programa, que realizaram o procedimento, ainda não foram divulgados.
 
Outro lado

O diretor do Hospital Militar de Cuiabá, coronel Kleber Duarte, afirmou que o procedimento correu normalmente e Edléia Daniele Ferreira Lira saiu lúcida da cirurgia. Ela teria passado mal já quando chegou ao apartamento. O laudo da perícia ainda deve apontar a causa da morte. 

O Programa Plástica para Todos só irá se manifestar após a conclusão do laudo da perícia. 

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