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MT sob risco de grandes deslizamentos; Chapada na mira

08/01/2010

Hebert Almeida
Redação 24 Horas News

As tragédias das encostas encharcadas pelas chuvas podem se abater sobre cidades de Mato Grosso a qualquer momento. Várias delas enfrentam riscos de deslizamentos por causa de erosões e de fratura em sedimentos. Uma das cidades propícias a riscos de grande tragédia é Chapada dos Guimarães, cidade de veraneio dos habitantes de Cuiabá. O alerta foi feita pelo deputado Adalto de Freitas (PMDB), ao sugerir a necessidade de o Governo do Estado realizar um estudo de análise do solo para prevenir desmoronamentos.

“O perigo de desmoronamento nos paredões é visível, por isso é necessário que os órgãos competentes desenvolvam um estudo de trafegabilidade e até mesmo de visitação no Parque Nacional de Chapada”, argumenta, ressaltando que em 2014, Cuiabá será subsede da Copa onde reunirá turistas de todo mundo, e para isso, é preciso dar garantias de segurança.

Em abril de 2008, aconteceu o desmoronamento de parte de um paredão na região da cachoeira Véu de Noiva que deixou seis turistas feridos. Na ocasião, aproximadamente 30 pessoas estavam no local. Das seis pessoas que ficaram feridas, uma se feriu gravemente.  O laboratório de Sadimentologia do Departamento de Geologia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) já fez novo alerta para as autoridades sobre o local. O professor  Gerson Souza Saes observou que os riscos de fraturamento das rotas areníticas daquela região são totalmente previsíveis.

Com base em imagens de satélite das escarpas, há pontos  de alto risco de desmoronamento a partir de padrões de fraturamento vertical das rochas. Geólogos da UFMT tem alertado as  autoridades do Governo para os riscos de desabamentos dos paredões na altura do Portão do Inferno, trecho da rodovia que ladeia um profundo abismo. O motivo, segundo pesquisas, são o tráfego e o excesso de peso. Com as chuvas intensas, o quadro se torna ainda mais preocupante.

Ao falar sobre os riscos da região, em alerta feito após a queda do paredão no Véu das Noivas, Gerson chegou a afirmar que a ponte na estrada estadual Emanuel Pinheiro, no ponto conhecido como Portão do Inferno vai cair. "É num tempo geológico e de acordo com o uso que se faz daquele local, mas não tenho dúvidas, vai cair", disse. Outra revelação impressionante do especialista é de que também num tempo geológico, as escarpas da Chapada estão recuando em direção ao Leste, no Vale do Araguaia.

Já em Barra do Garças a situação é critica no que se refere a ocupação irregular. O município que possui 55 mil habitantes tem vários bairros criados em todas as direções da cidade e nas encostas de morros como os bairros União, Pitaluga, Serrinha, Santo Antônio e Maria Lúcia no Dermat. Esses bairros possuem centenas de casas construídas no morro o que gera a urgente necessidade de investimentos em infra-estrutura, principalmente planejamento, pois o resultado da falta dessas ações leva a um risco eminente de desmoronamento.

Freitas recorda que no ano de 2000 houve um deslizamento de pedras da Serra Azul considerada a maior serra da região, que atingiu uma casa no bairro Jardim Amazônia II.

De acordo com a unidade do Corpo de Bombeiros de Barra do Garças a Prefeitura Municipal já foi orientada a disciplinar a ocupação dessas áreas.  Na gestão passada, a prefeitura construiu 70 casas retirando famílias que moravam nas encostas de morros e às margens dos rios, entretanto os barracos voltaram a ser ocupados por parentes ou amigos das famílias retiradas. 

Hoje o Morro da Serra Azul tornou-se Parque Estadual de responsabilidade da Secretaria de Meio Ambiente, e é um dos pontos turísticos de Barra do Garças.

Com diagnósticos de erosão em anos anteriores, Tapurah, a 387 km ao Norte de Cuiabá, é outra cidades que pode ser classificadas como de risco. O município  já enfrentou erosão causada por desmatamento e  também da ocupação irregular de novas áreas de risco, principalmente pela população mais carente. “Mato Grosso já dá sinais de desastres da natureza. Precisamos agir antes que ocorram tragédias como essas que têm acontecido no Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo” - lembra o deputado.

O parlamentar pontuou ainda que os riscos ambientais de graves conseqüências tem feito um número crescente de vítimas, cujas mortes, na maioria das vezes, poderiam ter sido evitadas. “Vamos apurar com os instrumentos políticos e técnicos os riscos ambientais urbanos ” - disse. 

 
 

 
 

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