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NOTÍCIA

Data: Quarta-feira, 14/08/2019 00:00

Médico é investigado por cobrar cirurgias do SUS em Cuiabá

Fonte: Gazeta Digital

Médico do Hospital de Câncer de Mato Grosso (HCan) é investigado por operar aproximadamente 30 mulheres e cobrar pelos procedimentos que são cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo inquérito, conduzido pela Delegacia Fazendária (Defaz), o oncologista, que também é diretor técnico da unidade, Lauzamar Roge Salomão Junior, cometeu crime contra a administração pública. O profissional é ainda investigado por realizar procedimentos diferentes das necessidades de pacientes. Há casos em que as assistidas precisam fazer fisioterapia pois procedimento inadequado resultou em incontinência urinária. Esta é a quarta e última reportagem da série “Dossiê Saúde”, que revela inúmeras irregularidades no Hospital de Câncer, referência no atendimento oncológico em Mato Grosso.

 

Paciente operada há mais de dois anos diz que teve reflexos negativos após ser atendida por Lauzamar. “Passei por uma cirurgia e depois fui percebendo que estava fazendo xixi sem sentir. Foi muito vexatória esta fase, fora outros prejuízos que tive. Encontrei várias mulheres na mesma situação e só depois fomos descobrir que aquela não era a cirurgia que precisávamos”, diz a paciente.

 

O inquérito na Defaz partiu de uma denúncia anônima feita à ouvidoria do Ministério Público do Estado (MPE) que mencionou, além dos procedimentos cobrados, que o oncologista estaria também cobrando por procedimentos não realizados. Segundo o inquérito, assinado pelo delegado Márcio Moreno Vera, o fato poderia ser constatado pelos relatórios clínicos. Denunciante frisou que, na época, quando a situação chegou ao conhecimento de uma médica, a mesma foi abordar Lauzamar, no entanto, a profissional foi agredida verbalmente pelo oncologista.

 

O inquérito policial destaca que o diretor clínico foi notificado e, mesmo assim, o profissional investigado continuou atuando. Desta forma, o delegado solicitou que fossem encaminhados relatórios de todos pacientes atendidos por Lauzamar e que estivessem sob responsabilidade do profissional. Em resposta, o hospital pediu prazo, sob alegação de que o médico faz em torno de 24 cirurgias ao mês e, em aproximadamente 4 anos de atuação no hospital, realizou mais de mil procedimentos.

 

Há o apontamento que Lauzamar realizava cirurgias de conização, uma pequena cirurgia na qual um pedaço do colo do útero, em forma de cone, é retirado para ser avaliado no laboratório. No entanto, o profissional registrava o procedimento como colpectomia (retirada de uma borda da vagina) ou amputação do colo uterino.

 

O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público do Estado que classificou como graves as denúncias. Em julho deste ano o órgão ministerial estadual declinou competência ao Ministério Público Federal para o acompanhamento uma vez que tratam-se de recursos federais.

 

Irregularidades 
Anexadas ao processo estão também denúncias contra o diretor da unidade, Laudemi Moreira Nogueira. Entre os apontamentos estão o atraso no pagamento de terceirizados sob alegação de falta de repasses. Há também ameaças de rescisão contratual quando os terceirizados fazem questionamentos acerca dos pagamentos.

 

O processo traz ainda a acusação de que médicos estão sendo demitidos pela direção sem nenhuma explicação. Para suprir o quadro, o hospital contrata outros médicos com a condição de que os mesmos repassem parte das receitas à diretoria. 
Há ainda a coação de associados para assinarem atas previamente feitas em interesse da diretoria.

 

Entre as denúncias mais graves que fazem parte da peça processual estão o uso de dinheiro público para regalias pessoais pelo diretor, como contratação de segurança armada e motorista pessoal. Há indícios ainda que Laudemi contratou, com recursos do hospital, o seu próprio escritório de advocacia para prestação de serviços.

 

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