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Data: Sexta-feira, 11/01/2019 00:00

Sem salários, maioria dos médicos desiste de plantão e Samu atende com equipe reduzida

Fonte: Olhar Direto

A maioria dos médicos que atuam no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) decidiu não mais fazer plantão. A decisão foi tomada por conta dos mais de seis meses de salários atrasados da categoria e da maneira como uma nova empresa foi contratada, em caráter emergencial, para tocar os serviços. 

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Uma fonte que preferiu não se identificar relatou ao Olhar Direto que os médicos decidiram não fazer o plantão da noite da última quinta-feira (10), data em que a nova empresa foi contratada. Porém, o atendimento à população não foi interrompido, já que pelo menos dois profissionais se mantiveram no plantão junto com a equipe de  enfermeiros. A reportagem esteve na noite de ontem na base conhecida como “alpha 1” do Samu e constatou uma viatura saindo para um atendimento.

Os médicos são terceirizados e tem enfrentado problemas com as empresas prestadoras de serviço. No ano passado, em agosto, o serviço teria passado por três empresas diferentes. O Governo do Estado alega que os repasses de recursos foram feitos para as empresas. Os médicos, no entanto, não receberam.
 
O que preocupa ainda mais os médicos são suspeitas sobre a nova empresa escolhida e o temor de que os problemas que se arrastam há meses se agravem ainda mais. A categoria aponta que a empresa escolhida para assumir os serviços é recém-criada e tem uma razão social de apenas R$ 1 mil.
 
Houve uma reunião entre o novo secretário de Saúde, Gilberto Figueiredo, e os profissionais nesta semana, mas que não foi suficiente para resolver o impasse.
 
Plantão incompleto
 
Por conta dos atrasos nos salários, o plantão dos médicos está tendo “furos” há muito tempo e não vem sendo feito com a escala completa. Outra fonte ouvida pela reportagem, que deixou o plantão do Samu há alguns meses, explicou que diversos profissionais seguiram o mesmo caminho.

A assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde (SES) informou ao Olhar Direto que os atendimentos do Samu aconteceram normalmente na última quinta-feira. Porém, não soube informar sobre a situação dos médicos.
 
Empresa contratada
 
O contrato, em caráter emergencial, entrou em vigor na quinta-feira (10) e possui validade de seis meses, no valor de R$ 2,8 milhões. O valor estabelecido no contrato é inferior ao praticado atualmente, representando economia aos cofres públicos.
 
Figueiredo explicou que a medida foi tomada para garantir a manutenção dos serviços prestados pelo Samu no Estado. Isso porque a antiga gestão da secretaria deixou de efetuar os pagamentos para a empresa que até então realizava o atendimento móvel de urgência. Consequentemente, a empresa também não remunerou os cerca de 60 médicos contratados, que estão há meses sem receber.
 
“Não podemos arriscar a vida e a saúde das pessoas. O atendimento do Samu é imprescindível e essa foi a solução mais rápida, eficiente e econômica que encontramos a curto prazo”, explicou Figueiredo.
 
Apesar da contratação de uma nova empresa, Figueiredo garantiu que os médicos que prestaram os serviços à empresa anterior serão devidamente remunerados.
 
“Nós vamos efetuar o pagamento ou por meio do repasse devido à empresa que até então prestava o serviço ou por meio de um procedimento interno. Também sugerimos à nova empresa que contrate estes mesmos médicos para dar continuidade a este trabalho”, afirmou.
 
O novo contrato trará redução de despesas ao Poder Público: o valor do plantão, que até então custava R$ 1.480,00, passa a ser oferecido por R$ 1.195,00. De 316, os plantões mensais oferecidos passam a ser 403, um ganho de 27,5%.